SEO clássico vs. SEO para IA (tabela comparativa)
As diferenças não são cosméticas. Muda a unidade que se otimiza, a métrica que se mede e a cadência com que se itera. Mas — e isto é importante — 60-70% do trabalho técnico é partilhado. Saber o que se mantém e o que muda é o que evita reinventar a roda e, também, o que evita aplicar técnicas obsoletas a achar que basta.
| Dimensão | SEO clássico | SEO para IA (GEO) |
|---|---|---|
| Unidade | Página posicionável | Entidade citável |
| Resultado | Top 10 com clique | Citação dentro da resposta |
| Métrica | Posição + CTR + cliques | Taxa de menção + posição relativa + sentiment |
| Cadência | Mensal | Semanal |
| Algoritmo | Mudanças anunciadas ~trimestrais | Modelos mudam a cada 4-8 semanas |
| Ferramentas | Search Console, Ahrefs | Monitorização GEO específica + Search Console residual |
O que se mantém igual
A boa notícia para qualquer equipa com SEO a correr: a maior parte do que já fazes bem continua a valer.
- Autoridade do domínio (backlinks de qualidade, idade, confiança) continua a ser sinal forte.
- Qualidade técnica (Core Web Vitals, indexabilidade, HTML semântico) — os modelos também descartam páginas lentas ou partidas.
- Profundidade e utilidade do conteúdo — o conteúdo superficial nunca foi bom; agora é pior.
- Arquitetura interna — um sitemap claro e ligação coerente ajuda o crawl, tanto do bot da Google como do da OpenAI ou da Anthropic.
O que muda e porquê
O que muda concentra-se em três áreas: formato do conteúdo, schema avançado e monitorização. Não são refinamentos — são peças novas com o seu próprio rigor.
- Formato pergunta-resposta autocontido. Cada bloco tem de ser citável sem contexto adicional. É uma mudança em como se estrutura o copy, não no que se diz.
- Schema FAQPage, HowTo e Article com propriedades estendidas. Não basta
Organization; os LLMs aproveitam especialmente FAQ e HowTo para citações literais. - Monitorização por prompts, não por keywords. A unidade de medida muda: já não mede "posição para [keyword]"; mede "presença para [prompt natural]".
O novo stack técnico (que ferramentas, quais não)
| Camada | Ferramentas SEO clássico | Ferramentas GEO |
|---|---|---|
| Auditoria técnica | Screaming Frog, Sitebulb | As mesmas + revisão de schema avançado |
| Investigação de prompts | Ahrefs, Semrush (keywords) | Otterly, Profound, Athena (prompts) + a tua própria bateria |
| Monitorização ranking | Search Console, Sistrix | Ferramentas dedicadas GEO + monitorização própria |
| Análise concorrência | Ahrefs Content Gap | Comparativa de share of voice por prompt |
Os quatro motores generativos que importam
ChatGPT (browsing e memória)
O mais usado, o que combina mais sinais (treino + browsing em tempo real + memória do utilizador). Otimizar para o ChatGPT obriga a trabalhar as três alavancas (entidade, conteúdo, autoridade). Se tens de escolher um, é este.
Perplexity (citação explícita)
O mais mensurável porque cita explicitamente com links. A métrica-chave é a frequência com que apareces como fonte citada. Pesam mais a autoridade externa e a frescura do conteúdo do que no ChatGPT.
Google AI Overviews
O que mais beneficia do SEO clássico bem feito (muito do trabalho de Google Search aproveita-se). Mas atenção: aparecer nos AI Overviews pode reduzir cliques no SEO clássico — há que medir o saldo líquido.
Claude (quando se liga à web)
Modelo da Anthropic — mais conservador nas suas citações, mas com tração crescente em B2B técnico. Mesmas alavancas, sem particularidades estruturais.
Como se faz SEO para IA na prática
- Mês 1: baseline com monitorização + auditoria técnica que acrescente schema avançado e limpe inconsistências de entidade.
- Mês 2: reformatação do top-30 de páginas mais relevantes para formato citável.
- Mês 3: produção de 6-10 peças novas que cubram prompts onde não apareces.
- Mês 4: primeira ronda de autoridade externa (PR, citações, parceiros).
- Mês 5+: iteração semanal sobre a bateria e ajustes consoante os resultados.